Profissionalizar para “sobreviver”

Acho que entramos em uma outra era aqui no Japão, acabou aquela fase do “empreiteirismo”, quero dizer até bem pouco tempo para arranjar um emprego para a maioria de nós brasileiros, bastava procurar em revistas ou jornais voltada para a comunidade, perguntar para algum amigo ou conhecido que era muito fácil achar uma vaga através da alguma empreiteira.

Até nos tornamos um pouco “mimados” com aquela abundância de vagas, era fácil descartar tal vaga e procurar por outra que eram muitas. Seja por que o valor pago por hora não era o suficiente,  pela localização, pelo pessoal da empreiteira, enfim tinham tantas vagas que agente podia escolher a “vaga que se encaixava mais no nosso perfil”. A rotação também era alta, coisa de mês, semana ou alguns dias, eram constantes escutar casos de pessoas que passaram por mais de 1 vaga.

A verdade é que agora com esta crise, os “bons tempos” já se passaram, mesmo os japoneses estão tendo dificuldades em procurar vagas disponíveis.

Então ficam as perguntas:

O que fazer então, se estou procurando emprego? Esperar até que a economia mundial se normalize para que as empreiteiras voltem com as vagas?
Bom como sei que a maioria dos brasileiros eu inclusive, não tem condições de ficar esperando por uma melhora na economia, não seria um bom negócio ficar esperando a economia se estabelecer para começar a procurar por uma vaga.

Então onde procurar por um emprego se nas empreiteiras não há mais vagas disponíveis?
A melhor forma que eu achei de superar esta crise, e também aproveitar para promover nossas condições profissionais, foi procurar o emprego “por conta própria”, sem depender totalmente das  empreiteiras. Não que as empreiteiras não tenham feito bem o papel delas, acho que muitas são bem profissionais. O que quero dizer é não depender das empreiteiras no sentido “paternal”, ou seja o papel da empreiteira é principalmente apresentar agente para uma determinada vaga (shoukai), mas na hora da entrevista, ninguém melhor para falar da gente, do que agente mesmo.

E se não sei falar o nihongô(japonês)?
Procure treinar, pelo menos para a entrevista, como falar a seu respeito, sobre suas qualidades, seus defeitos, e como você fará para superar isto.
Se você não conseguir entender direito o que o entrevistador está querendo dizer, não tenha medo de perguntar 1, 2 ou mais vezes, ou peça para ele falar de um jeito mais fácil. Em hipótese alguma, responda a uma pergunta se você não entendeu direito o que o entrevistador está querendo saber. Faça mimicas, em último caso, mas procure expôr seus potenciais para a vaga.
Há um blog amigo, muito bom nele você poderá tirar suas dúvidas sobre o nihongô:

http://aprendendonihongo.blogspot.com/

Outro fator importante para se conseguir uma vaga, é ter um currículo profissional, mas não é apenas pedir para alguém colocar seus dados num papel e apresentar ele na hora da entrevista. Você precisa incluir neste currículo, dados reais sobre sua carreira profissional, é comum o entrevistador  perguntar sobre os dados que você colocou no seu currículo, por exemplo se você colocou que trabalhou com kensa(inspeção) de determinada peça, o entrevistador pode querer saber como era feito a kensa, se era em determinada parte, se usava algum instrumento específico, etc. Pode ser que a vaga oferecida tenha alguma coisa ligada com seu trabalho anterior, daí é um “pulo” pra você ganhar a vaga.
Há vários formatos de cúrriculos profissionais, deixarei aqui disponível um modelo bem utilizado para você fazer o download:

curriculo-formato

Obviamente tem que ser preenchido em japonês, para o entrevistador poder entender, um currículo ajudará bastante tanto à você quanto ao entrevistador.

Você pode estar pensando, é complicado demais, dá muito trabalho, e dificilmente vou conseguir falar em nihongô ainda mais em uma entrevista.
Realmente é complicado e dá trabalho também, mas lhe garanto que é só até você se acostumar, pois eu também passei por isso, eu não sabia falar quase nada o nihongô, não sabia ler e muito menos escrever os hiraganas, katakanas, kanjis. Hoje em dia posso garantir que todas as dificuldades em que passei no começo da minha carreira foram superadas e o mais importante, me serviram como uma grande experiência, pois se não tivesse passado por tudo aquilo não estaria onde estou agora.

Não estou dizendo que é necessário saber ler e escrever o nihongo para conseguir uma vaga, pelo menos na maioria dos casos se você conseguir se expressar numa entrevista e tiver um currículo profissional, suas chances de conseguir a vaga serão bem maiores.

Mar 14th, 2009 | Posted in Artigos
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